quarta-feira, 3 de abril de 2019

Saiba quando a queda da criança é grave; veja dicas de prevenção.


Quando estão aprendendo a andar, as crianças surpreendem os pais. Tentam vencer pequenos desafios e, muitas vezes, arriscam-se a ir de um ponto a outro para alcançar um brinquedo, escalar móveis, correr... Sem muito equilíbrio e com os passos ainda descoordenados, não raro deixam a família tensa e preocupada com possíveis quedas.

Cair faz parte do processo de desenvolvimento normal das crianças. E isso não é conversa para tranquilizar coração de mãe. É uma explicação da OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, não é por tratar o acontecimento como algo normal que a instituição considera tombos eventos sem importância.

Pelo contrário: o assunto é tão sério que a organização dedicou ao tema 16 páginas no “Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes”, publicado em dezembro de 2008, em parceria com o Unicef. Segundo o documento, as quedas foram a 12ª causa de morte devido a lesões involuntárias em crianças entre cinco e nove anos e jovens entre 15 e 19 anos.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2010, as quedas são a principal causa de internação de crianças até 14 anos.

De acordo com a OMS, as quedas devem, sempre que possível, ser evitadas ou, pelo menos, minimizadas. Seja por meio da supervisão de adultos, seja com a instalação de grades nas janelas e de pavimentos de borracha, que reduzem o impacto do corpo contra o chão.

“É importante ainda proteger os cantos de móveis, impedir o acesso às escadas e jamais deixar bebês sozinhos em cima da cama, do sofá ou do trocador”, diz Lucília Santana de Faria, coordenadora médica da UTI pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Cuidados como esses são capazes de reduzir lesões traumáticas cerebrais graves e também evitar pequenos traumas, que, geralmente, não representam nada grave e são curados com o passar do tempo, como o galo, nome popular do inchaço na cabeça para hematoma subgaleal.

“O aparecimento do galo indica que um vaso sanguíneo foi lesionado. A saliência ocorre porque o sangue se acumula fora do vaso”, afirma Valéria Succi, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein e do Programa Einstein na Comunidade Paraisópolis, ambos em São Paulo.

O que fazer depois da queda?
Primeiramente e com rapidez, é preciso avaliar o estado da criança considerando a altura do tombo. Lucília, do Sírio-Libanês, explica que as quedas superiores à própria altura são mais graves, seja lá qual for a idade da pessoa acidentada. E que, no caso de perda de consciência e sinais de dor de cabeça, é necessário procurar atendimento médico o quanto antes.

A pediatra Valéria, do Einstein, recomenda ainda observar se há náuseas, dificuldade para mamar, choro persistente, sonolência fora do comum, convulsão, tremores, sangramento nasal, na boca ou nas orelhas. Tudo isso também pede a análise médica.

Lucília destaca que é importante saber se, ao cair, a criança bateu a cabeça. “Os bebês têm a cabeça grande, proporcionalmente maior do que o corpo, por isso é comum batê-la em quedas, embora isso nem sempre seja sinal de gravidade”, diz.

Nesse caso, é essencial observar se o impacto atingiu a fontanela, a chamada moleira. Essa é uma região da cabeça do bebê em que não há proteção óssea. Isso quer dizer que um trauma na área tende a ser mais grave porque atinge diretamente o tecido cerebral, que protege a massa encefálica de traumas.

Ao nascer, os bebês têm duas fontanelas (bregmática, localizada na parte frontal da cabeça, e lambdóide, atrás). Os prematuros podem ter até quatro moleiras (duas laterais, além das citadas). Todas, com o passar do tempo, fecham-se. A lambdóide mais rapidamente, em geral antes dos três meses de vida, e a bregmática, em torno dos oito meses.

Para minimizar o trauma, é recomendável fazer compressa de gelo no local. “É válido ter sempre em casa uma bolsa para compressas no congelador”, diz a pediatra Lucília. Esfregar a área lesionada com as mãos, na tentativa de fazer a dor passar, não faz sentido, segundo a médica. “Aquecer a região favorece o aumento do hematoma.
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Deixar a criança dormir depois é perigoso? Esse é um mito bastante difundido. Lucília diz que é comum que a criança sinta-se cansada e acabe dormindo depois do tombo. Não há problema, ainda mais se for o horário que ela costuma dormir, desde que o sono seja supervisionado. “A criança deve acordar facilmente quando alguém mexer com ela, a posição de dormir deve estar normal e ela não pode emitir barulhos estranhos durante o sono”, fala a médica.

Vomitar é um sinal de gravidade? José Luiz Setúbal, pediatra e presidente do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, fala que vomitar em jato pode ser sinal de existência de um sangramento na cabeça, que precisa ser avaliado por especialistas. “Se necessário, é realizada uma tomografia. No entanto, esse exame deve ser feito somente se houver necessidade real. No caso de crianças, é preciso a aplicação de anestesia”, explica Setúbal.

Outras lesões Com o susto e a preocupação, os pais podem se esquecer de observar a ocorrência de lesões nos membros inferiores e superiores. Quando caem, frequentemente, as crianças utilizam os braços para proteger a cabeça, por exemplo.