sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O que faz uma criança feliz?

No Dia das Crianças, convidamos cinco especialistas em infância para dizer o que não pode faltar na rotina dos pequenos para que cresçam saudáveis e seguros
Toda criança merece ser feliz. Mesmo indiscutivelmente correto, esse pensamento acaba sendo um tanto abstrato. Para trazer mais concretude à felicidade infantil, o Delas pediu para cinco especialistas em infância definirem itens indispensáveis no dia a dia dos pequenos para que cresçam saudáveis e seguros. Mais do que isso, o que seria fundamental para que eles sejam felizes. As respostas mostram como amor, família e valores podem fazer a diferença no presente e no futuro das crianças.

Quando a criança é amada, ela recebe além de carinho, respeito, limites, disciplina e atenção. Ela se sente feliz sem precisar de mais nada. O amor leva as pessoas a se doarem, a se entregarem para o bem do outro, para ver o próximo feliz.

A falta de amor deixa a criança isolada, seca, sem alimento, sem toque, sem abraços, sem diálogo, sem atenção. Enfim, sem nada para se importar na vida. Na minha opinião, uma criança pode chegar a morrer se não receber amor.”

“Toda criança precisa ter alguém em quem confiar. Os pais são o porto seguro dos filhos. Eles são o modelo, a referência. É essencial que a criança saiba que pode contar com os pais nos momentos de dificuldade, mesmo se for um problema pequeno, do dia a dia.

A confiança a que me refiro é quando o filho não consegue colocar o casaco e ele sabe que alguém vai ajudá-lo, quando sente fome e sabe que a mãe e o pai conseguirão o alimento.

Essas crianças que são abandonadas, que ficam sozinhas em casa e não contam com um adulto em quem confiar ficam perdidas. Para uma infância completa e feliz é preciso confiar em alguém, é necessário ter certeza que se pode contar com alguém para ajudá-lo. Isso é fundamental na formação de um cidadão."

“Criança feliz é criança que desfruta de sua infância. A base da nossa imaginação, sensibilidade e inteligência cognitiva e emocional se dá nos primeiros anos de vida. Por que, então, roubar essa preciosa fase de nossas crianças? O que ganhamos ao retirar da criança o tempo de brincar livre, se sujar, errar, mexer com tinta, água e terra?

Hoje, alguns vilões do dia a dia, como consumismo, obesidade infantil, erotização precoce, falta de tempo e espaço para brincar, vício em aparelhos eletrônicos e terceirização dos cuidados, colocam a infância em risco. Eles ameaçam um direito básico de toda pessoa de zero a doze anos: ser criança. Temos que garantir à criança o direito de brincar, de experimentar, de criar vínculos afetivos, de ser cuidada e respeitada em suas singularidades e de se desenvolver de forma saudável e plena.

As crianças do século XXI seriam mais felizes com atitudes simples, baratas e eficientes como: mais presença e menos presentes, mais parques e menos shopping, mais tempo livre e menos agenda lotada, mais família e menos babás e instituições cuidadoras, mais brincar e menos atividades pedagógicas. Certamente uma sociedade que honre a infância tem mais chance de se humanizar.”

As crianças e adolescentes têm o direito de viver em uma família que as ame, ampare, proteja e ensine seus deveres e direitos. Essa família não necessariamente precisa ter laços de sangue. O laço que deve unir esse núcleo é o do amor. Família como um espaço de construção de afetos, transmissão de valores, formação de vínculos e identidade.

Nós, enquanto sociedade, podemos ser atores no fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos das Crianças e Adolescentes pensando na proteção integral delas, proporcionando cuidados e condições favoráveis ao seu desenvolvimento saudável e cobrando políticas públicas que venham a contribuir para que crianças e adolescentes, ao não terem a possibilidade de estarem em sua família de origem, possam ter oportunidades de serem inseridas, com a maior brevidade, em uma família substituta através da adoção.”