terça-feira, 10 de julho de 2018

Socorro, doutora: meu filho tem um ano e não quer comer

Socorro, doutora: meu filho tem um ano e não quer comer!
“Descoberta” é a palavra que define os primeiros meses de vida uma criança. No começo, a fome é grande e os pais ficam satisfeitos com o interesse na descoberta de novos alimentos durante a introdução alimentar, por volta do sexto mês. Mas aí, vira uma chave, e pronto: “meu filho tem um ano e não quer comer“! Começa o desespero.
Fiquem tranquilos, papais e mamães! Isso tem explicação. Quando se aproximam os 12 meses, o crescimento diminui um pouco; por esse motivo o apetite fica reduzido. E esse novo ritmo se mantém até a adolescência, que é a segunda etapa de crescimento mais significativa.

Além disso, é com um aninho que começa fase de individualização do bebê, que passa a impor seus gostos. Sendo assim, é compreensível que a criança queira comer menos.

Eu diria para você não se preocupar tanto se o seu filho está se sentindo bem, com um comportamento normal e brincando normalmente. Agora, se você nota algum problema de saúde em decorrência da alimentação ou falta de apetite junto com desânimo, ou tem dúvidas sobre como agir nessa fase, não hesite em consultar o seu pediatra! A queixa “meu filho tem um ano e não quer comer” é uma das mais comuns nos consultórios de pediatria. Você não está sozinho!

Por isso, hoje vou dar algumas dicas sob o ponto de vista nutricional e comportamental, na tentativa de acalmar os pais que estão atravessando essa fase. Vamos lá?

Meu filho tem um ano e não quer comer, como lidar com a culpa?
Quando eu ouço “meu filho tem um ano e não quer comer” sinto uma carga de culpa muito grande vinda dos pais. E não precisa ser assim! É preciso entender, em primeiro lugar, que a criança passar por fases e rejeitar comida é normal na maior parte dos casos.

Outra coisa importante é perceber que nem sempre que a criança chora é fome! Por isso nem sempre vai estar disposta para comer. Talvez valha a pena prestar atenção em outros motivos que causam desconforto como sono, barulho, fralda suja, sede, frio, calor.

Os pais não precisam se sentir culpados o tempo todo por achar que a criança está mal alimentada, mas é importante ficar atento a todos estes sinais.

Respeite a fome do seu filho
O papel dos pais na alimentação do filho é preparar e oferecer os alimentos, ou seja, deixar disponível para que a criança coma com qualidade. Os pequenos ainda têm muito clara a noção de saciedade, então, respeite seu filho se ele não quiser mais.

Além disso, evite as substituições. Muitos pais, no desespero por achar que a criança vai ficar com fome, acabam substituindo a comida por uma mamadeira ou por iogurtes, bolachas, sucos, etc.

Isso acaba criando um hábito ruim: toda vez que ele recusa a comida, sabe que vai ganhar outra coisa no lugar. Então, seja firme: se o bebê não quer comer naquela hora, talvez seja interessante esperar pela próxima refeição.
A hora do “papá” também pode ser divertida!
Reuni aqui algumas orientações simples para tornar o momento da refeição menos estressante para os pais e para os bebês!

Lambuzar-se é bom: é legal estimular a criança a conhecer e explorar com as próprias mãos os alimentos naturais, como frutas e legumes. Assim, ela vai criando mais familiaridade com a comida e definindo os próprios gostos.
Insistir é preciso: não se pode desistir na primeira vez que o bebê rejeita determinado alimento. Os estudos mostram que as crianças precisam provar várias vezes determinadas coisas para se acostumar com o sabor. Se ela não gostou da primeira vez que comeu brócolis, por exemplo, volte a oferecer uma semana depois. Talvez de uma forma diferente, como um purê, misturado ao arroz ou combinado a outro legume, por exemplo.
Rotina e ambiente: o corpo gosta de rotina, e, para criar hábito, é importante tentar fazer as refeições em horários determinados e regulares, mesmo aos finais de semana. Para tornar o momento mais agradável para todos, tente criar um ambiente tranquilo, sem muito estímulos (TV, iPad, celular…), sem barulho. De preferência, reserve pelo menos meia hora para cada refeição, para que possa se dedicar exclusivamente à esta tarefa.
Sem estresse: se você engrossa o coro dos pais que dizem “meu filho tem um ano e não quer comer”, é natural que se sinta exausto e frustrado. Mas tentar manter a calma é saudável tanto para os pais quanto para as crianças.
Diante da recusa, evite perder o controle ou brigar, porque se isso se tornar uma rotina o bebê pode passar a associar o momento da alimentação a algo estressante. Procure tratar o momento com mais naturalidade.

Se você tem dúvidas e está perdido com essa questão da alimentação, reforço: consulte um pediatra ou uma nutricionista. Vale a pena estabelecer uma relação prazerosa com a comida desde cedo, porque isso a criança levará por toda a vida!

Bon appétit!

Agora que explicamos como melhorar a relação com a comida para você que está buscando por “meu filho tem um ano e não quer comer”, que tal aprofundar os conhecimentos em:

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Lanches saudáveis para escola das crianças
Que tal conhecer meu método Efeito Sophie, que ensina a transformar sua relação com a comida e a voltar a escutar os sinais do seu corpo? São seis semanas com vídeos e materiais que vão explicar sobre hábitos alimentares, e como recuperar o prazer de comer. Saiba mais!