quinta-feira, 19 de julho de 2018

Mania de bebê

O que fazer quando seu filho tem um tique ou uma mania? 

Olá! Tudo bem?

Nós mães nos preocupamos com tudo, não é mesmo? A cada etapa da vida de nossos filhos são preocupações diferentes. Às vezes, porém, nos preocupamos com coisas desnecessárias, e outras vezes, deixamos passar coisas importantes… Por isso, as leituras de artigos sobre cada fase das crianças são fundamentais para nos dar uma direção.

Hoje vamos falar sobre manias e tiques das crianças: quando realmente devemos nos preocupar e procurar um profissional?

Vejam só que interessante!

Esperamos que ajude a muitas mamães que estejam passando por algo parecido!
O que fazer quando seu filho tem um tique ou uma mania?

Os tiques são movimentos involuntários que as crianças realizam de forma repetitiva, como piscar os olhos ou tensionar um músculo; enquanto que as manias são comportamentos, nos quais a criança demonstra ter dificuldade para se controlar e, como consequência, não consegue parar de agir dessa forma. Como, por exemplo, a mania de morder a gola da camisa ou de puxar os cabelos. Nestas situações, é compreensível, que surjam muitas dúvidas e certa preocupação, principalmente, pelo receio de que os tiques e as manias possam começar a interferir nas relações da criança. Por isso, é importante refletir sobre quais cuidados podem ajudar as crianças nestas circunstâncias.

Quando um tique parece mais complexo, pois envolve a combinação de diferentes movimentos ou falas, vale a pena consultar um neurologista para descartar que exista uma causa orgânica. Porém, nos casos das manias ou de tiques menos complexos é bem provável que esta seja uma maneira, que a criança encontrou para se acalmar no contato com uma emoção que ela experimenta de forma mais intensa. Em muitos casos, a emoção mais frequente que está por trás dos tiques e das manias é o medo, o que faz sentido, porque a repetição e a estabilidade dos gestos que ela realiza pode oferecer para a criança uma sensação de controle, segurança e previsibilidade.

Para pensar em quais cuidados podem ajudar a criança a abrir mão dos tiques e das manias é preciso entender qual a emoção que ela está sentindo de forma mais intensa. Se for, de fato, o medo, é importante entender o que está fazendo com que a criança se sinta dessa forma. É possível que tenha sido uma situação pontual, na qual a criança tenha presenciado uma cena de violência ou de agressividade, como ter sido vítima de um assalto, por exemplo. Nestas situações, a criança pode sentir medo de que este evento volte a acontecer de forma inesperada e desenvolve os tiques e as manias para aliviar a ansiedade que ela experimenta. Um cuidado que pode ser útil nesse contexto é tentar renovar a sensação de proteção da criança, oferecendo um objeto que represente um amuleto, por exemplo. Desse modo, a criança pode recorrer a este objeto mesmo quando as pessoas da sua confiança não estão por perto e a sensação de segurança, que o objeto proporciona vai, aos poucos, sendo assimilada.

Existem, ainda, outras situações pontuais, que não são tão evidentes, mas que também podem provocar medo ou insegurança na criança. Diante de acontecimentos que mudam a sua rotina (o nascimento de um irmão ou a mudança de babá, por exemplo) e que não foram comunicados para a criança, ou que ela não conseguiu verbalizar suas dúvidas e receios, é possível que a criança não consiga assimilar e antecipar como será sua nova rotina. Diante desse contexto, ela pode passar a se sentir insegura, com a sensação de que novas mudanças podem acontecer de forma imprevista. A criança pode, então, fazer uso dos tiques e das manias não só como uma forma de anestesiar a ansiedade que experimenta, mas também como uma experiência, que lhe oferece a sensação de ter controle sobre os acontecimentos. Nesses casos, os pais podem experimentar comentar que perceberam que o(a) filho(a) está inseguro(a) com as mudanças que enfrentou e explicar quais são as outras mudanças que estão previstas para acontecer. Estas informações, na medida em que são assimiladas pela criança, podem lhe oferecer uma sensação de segurança e, aos poucos, ela pode abrir mão dos tiques e manias.

Em outros casos, é possível que o medo não tenha sido provocado por um evento específico, mas pela forma de se relacionar, que se estabelece entre a criança e as pessoas que cuidam dela. Muitas vezes, um tom mais agressivo e uma fisionomia severa nas interações com o(a) filho(a), combinados com uma maior sensibilidade da criança, podem ser fatores que fazem com que ela sinta medo do contato com os pais. Nesses casos, além do medo, é comum que a criança também se sinta sozinha para lidar com seus problemas e com as suas emoções, o que pode intensificar a insegurança que ela vivencia. Assim, os tiques e as manias se tornam uma forma da criança cuidar de si, buscando alívio para as suas emoções por conta própria. Nesse contexto, talvez, seja necessário buscar o apoio de um psicoterapeuta, que possa tanto ajudar os pais a compreender a experiência do(a) seu(sua) filho(a), como ajudar a criança a restaurar a confiança na relação com eles, para que a comunicação possa acontecer e a criança possa superar o isolamento que enfrenta.

De qualquer forma, quando as manias e os tiques persistem por um período de tempo prolongado, o apoio da psicoterapia pode ser uma alternativa importante. Quando os tiques e manias são desencadeados por situações pontuais, os pais podem se beneficiar da psicoterapia para receber referências e orientações de como ajudar a criança a lidar com o medo e a insegurança, que ela sente. Enquanto que a criança pode se beneficiar de cuidados que a ajudam a expressar suas emoções de uma nova forma. Além disso, nos casos em que o medo é um efeito da forma de se relacionar com a criança, a ajuda de um psicoterapeuta pode ser importante para promover a mediação da comunicação entre pais e filhos, o que pode permitir que o medo que a criança sente possa ser superado, na medida em que a confiança na relação é reestabelecida.
Espero ter ajudado vocês de alguma forma!