quinta-feira, 23 de maio de 2019

A diarreia nas crianças

A diarreia é um problema muito comum nas crianças. A diarreia é uma evacuação (EV) frequente, solta ou líquida que difere do padrão normal de uma criança. Às vezes, a diarreia contém sangue ou muco. Identificar a diarreia branda pode ser difícil, porque em crianças saudáveis, o número e a consistência das EVs varia com a idade e a dieta. Bebês amamentados que ainda não estão recebendo alimentos sólidos, por exemplo, com frequência têm evacuações soltas que são consideradas normais. Um súbito aumento no número e na consistência pode indicar diarreia nesses bebês. Contudo, ter evacuações líquidas por mais de 24 horas nunca é normal.

Crianças com diarreia podem perder o apetite, vomitar, perder peso ou ter febre. Caso a diarreia seja grave ou dure muito tempo, a desidratação se torna provável. Bebês e crianças pequenas podem ficar desidratadas mais rapidamente, às vezes em menos de um dia. A desidratação grave pode causar convulsões, danos cerebrais e morte.

No mundo inteiro, a diarreia causa 1,5 milhões de mortes por ano nos países subdesenvolvidos. Nos Estados Unidos, a diarreia é responsável por cerca de 9% das hospitalizações de crianças com menos de cinco anos de idade.

Causas da diarreia
As causas prováveis da diarreia dependem de ela durar menos do que duas semanas (aguda) ou mais de duas semanas (crônica). A maioria dos casos é de diarreia aguda.

Causas comuns
A diarreia aguda é em geral causada por

Gastroenterite infecciosa

Intoxicação alimentar

Uso de antibióticos

Alergias alimentares

A gastroenterite é em geral causada por um vírus, mas pode ser causada por bactérias ou parasitas.

A intoxicação alimentar em geral se refere a diarreia, vômitos ou ambas as coisas como resultado da ingestão de alimentos contaminados por toxinas produzidas por certas bactérias, tais como estafilococos ou clostrídios.

Certos antibióticos podem alterar os tipos e números de bactérias no intestino. Como resultado, pode ocorrer diarreia. O uso de antibióticos às vezes possibilita que uma bactéria especialmente perigosa, a Clostridium difficile se multiplique. A Clostridium difficile libera uma toxina que pode causar inflamação do revestimento do intestino grosso (colite – Colite induzida por Clostridium difficile).

A diarreia crônica é em geral causada por

Fatores da dieta, como intolerância à lactose ou consumo exagerado de certos alimentos

Infecções (especialmente aquelas causadas por parasitas)

Doença celíaca

Doença inflamatória intestinal

Causas menos comuns
A diarreia aguda também pode também resultar de distúrbios mais graves como apendicite, intussuscepção e síndrome hemolítico-urêmica (uma complicação de certos tipos de infecção bacteriana). Esses distúrbios graves estão em geral associados a outros sintomas preocupantes além da diarreia, tais como dores ou inchaço abdominal intenso, fezes com sangue, febre e aparência doentia.

A diarreia crônica também pode resultar de distúrbios que interferem na absorção dos alimentos (distúrbios de absorção), tais como fibrose cística e enfraquecimento do sistema imunológico (devido a um distúrbio como a AIDS ou uso de certos medicamentos).

Às vezes, a diarreia resulta da constipação. Quando fezes endurecidas se acumulam no reto, fezes moles podem vazar ao redor delas e chegar à roupa de baixo da criança.

Avaliação da diarreia
Sinais de alerta
Certos sintomas são motivo de preocupação. Incluem

Sinais de desidratação, tais como aumento da micção, letargia ou apatia, choro sem lágrimas, sede extrema e boca seca

Aparência doentia

Febre alta

Sangue nas fezes

Dores abdominais e, quando o abdômen é tocado, sensibilidade extrema

Sangramento na pele (vista como pequenos pontos de cor púrpura (petéquias) [púrpura])

Quando consultar um médico
Crianças com sinais de alerta devem ser imediatamente avaliadas por um médico, assim como aquelas que tiverem mais de três ou quatro episódios de diarreia e não estiverem bebendo ou estiverem bebendo pouco.

Caso as crianças não apresentem sinais de alerta e estejam bebendo e urinando normalmente, o médico deverá ser chamado se a diarreia durar dois dias ou mais ou caso haja mais do que seis a oito episódios de diarreia por dia. Caso a diarreia seja branda, uma consulta médica será desnecessária. Crianças com diarreia por 14 dias ou mais devem ser avaliadas por um médico.

O que o médico faz
Os médicos primeiro indagam sobre os sintomas e o histórico clínico. Em seguida, os médicos fazem um exame físico. O que eles encontram durante o histórico e o exame físico geralmente indica a causa e os exames que possivelmente precisarão ser realizados ( Algumas causas e características da diarreia).

Os médicos perguntam sobre a aparência das fezes, sua frequência, a duração das evacuações e se a criança tem outros sintomas, tais como febre, vômitos ou dores abdominais.

Os médicos também perguntam sobre causas potenciais, tais como dieta, uso de antibióticos, consumo de alimentos possivelmente contaminados, contato recente com animas e viagens recentes.

Um exame físico é feito no qual se buscam sintomas de desidratação e distúrbios que possam causar diarreia. O abdômen é verificado em termos de inchaço e sensibilidade. Os médicos também avaliam o crescimento da criança.
Exames
Caso a diarreia dure menos do que duas semanas e nenhum sinal de alerta esteja presente, a causa será provavelmente gastroenterite causada por vírus e, em geral, não são necessários exames. Contudo, caso os médicos suspeitem de outra causa, exames são feitos para verificá-las.

Exames costumam ser feitos quando a criança apresenta sinais de alerta. Caso elas tenham sinais de desidratação, exames de sangue são realizados para medir as concentrações dos eletrólitos (sódio, potássio, cálcio e outros minerais necessários para manter o equilíbrio dos líquidos no corpo). Caso outros sinais de alerta estejam presentes, os exames podem incluir um hemograma completo, exames de urina, exame e análise das fezes, radiografias do abdômen ou uma combinação.

Tratamento da diarreia
As causas específicas da diarreia são tratadas. Caso as crianças tenham doença celíaca, por exemplo, o glúten é removido da sua dieta. Antibióticos que causam diarreia são interrompidos caso o médico recomende isso. A gastroenterite devida a um vírus em geral desaparece sem tratamento.

Medicamentos para parar a diarreia, como loperamida, não são recomendados para bebês e crianças pequenas.

Desidratação
Uma vez que a principal preocupação no que se refere às crianças é a desidratação, o tratamento dá enfoque à reidratação mediante a administração de líquidos e eletrólitos ( Desidratação em crianças). A maioria das crianças com diarreia é tratada de maneira bem-sucedida com líquidos administrados por via oral. Líquidos são dados por via intravenosa somente se as crianças não estiverem ingerindo líquidos ou estiverem gravemente desidratadas. Soluções de reidratação oral com o equilíbrio correto de carboidratos e sódio são usadas. Nos Estados Unidos, essas soluções estão amplamente disponíveis sem prescrição médica em farmácias e na maioria dos supermercados. Bebidas esportivas, refrigerantes, sucos e bebidas similares contêm pouquíssimo sódio e carboidratos demais e não devem ser consumidas.

Caso as crianças também estejam vomitando, pequenas e frequentes quantidades de líquido são administradas primeiro. Normalmente, uma colher de chá (cinco mililitros) é administrada a cada cinco minutos. Caso as crianças consigam processar essa quantidade, a quantidade é gradualmente aumentada. Se a criança não estiver vomitando, a quantidade inicial de líquido não precisa ser limitada. Com paciência e motivação, a maioria das crianças consegue tomar líquidos por via oral para evitar a necessidade de líquidos intravenosos. Contudo, as crianças com desidratação grave podem precisar de líquidos intravenosos.

Dieta
Assim que as crianças tiverem recebido líquidos suficientes e não estiverem mais vomitando, elas devem receber uma dieta apropriada para a idade. Os bebês podem retomar o leite materno ou a fórmula láctea.

Nas crianças com diarreia crônica, o tratamento depende da causa, mas oferecer e manter uma nutrição e monitoramento adequados de possíveis deficiências de vitaminas e minerais são as medidas mais importantes.

PONTOS-CHAVE
A diarreia é comum entre crianças.

Gastroenterite, em geral devido a um vírus, é a causa mais comum.

As crianças devem ser avaliadas por um médico caso tenham qualquer sinal de alerta (tais como sinais de desidratação, dores abdominais, febre ou sangue ou pus nas fezes).

Exames são raramente necessários quando a diarreia dura menos do que duas semanas.

Desidratação é possível se a diarreia for intensa ou durar muito tempo.

Dar líquidos por via oral trata eficazmente a desidratação na maioria das crianças.

Medicamentos para parar a diarreia, como loperamida, não são recomendados para bebês e crianças pequenas.

Moleira do bebê: 4 coisas que você precisa saber

Muitos pais de primeira viagem costumam ter dúvidas sobre o que é a moleira do bebê e acabam não sabendo ao certo como proceder, quais cuidados tomar ou mesmo qual é a sua função na prática. Por essa razão, reunimos algumas informações essenciais sobre o assunto para pôr fim aos seus questionamentos. Confira!

1. O que é a moleira do bebê
A moleira do bebê, também chamada de fontanela, é uma membrana fibrosa que forma os espaços entre os ossinhos do crânio dele.

Ao todo, os recém-nascidos têm duas delas. Uma que fica próximo à nuca, e a outra, que é mais perceptível, no alto da cabeça.

As moleiras desempenham funções essenciais, como permitir que a caixa craniana possa se contrair durante o parto para facilitar a saída da criança e permitir que o cérebro cresça de forma adequada e protegida, já que ele aumenta cerca de metade do seu tamanho ainda no primeiro ano de vida do bebê.

2. Quando ela fecha
Durante o período onde cérebro se desenvolve e o perímetro da cabeça do bebê aumenta, a moleira acompanha o ritmo natural de ambos os processos e vai fechando aos poucos.

A fontanela menor, por exemplo, costuma estar completamente fechada até o segundo mês de vida do recém-nascido, enquanto a maior fecha entre o décimo primeiro e o décimo oitavo mês.

3. Quando ela está normal
Saber se a moleira da criança está normal é uma preocupação constante dos pais nos primeiros meses de vida.

Contudo, é fácil perceber se há algo está errado apenas observando-a. Por exemplo, se ela não estiver nem funda nem alta, significa que não há nada fora da normalidade.

Em algumas ocasiões também é possível que ela seja pulsátil, porém não se assuste se ocorrer de forma sutil, afinal, a pulsação resulta da pressão arterial do cérebro, especialmente quando o bebê chora.

4. Cuidados necessários
O principal cuidado que os pais devem ter é realizar periodicamente as consultas com o pediatra do neném, pois ele será responsável por estabelecer uma rotina de acompanhamento de medição do diâmetro da cabeça do seu filho. Será nessas visitas ao consultório que ele verificará a moleira da criança e se ela está se desenvolvendo da maneira correta.

Além disso, é importante não apertar ou exercer pressão na moleira do bebê, além de ficar atento ao surgimento de algum sinal de alerta, como:

pulsação forte e febre simultânea, que podem ser um indício de hipertensão intracraniana;
moleira afundada e bebê com diarreia, que podem significar que ele está desidratado;
moleira abaulada — isto é, levantada — e neném com febre, que podem sinalizar meningite;
fechamento precoce da moleira (em menos de 6 meses), que pode indicar algum problema congênito e demandar intervenção cirúrgica;
demora no fechamento da moleira, que pode ser um sinal de hidrocefalia, ou seja, acúmulo de líquido no cérebro do bebê.
Como você leu, a moleira do bebê é uma área comum e muito importante para todo recém-nascido. Contudo, ela não precisa ser uma fonte de aflição constante, pelo contrário! Seguindo os cuidados necessários que listamos não haverá razões para se preocupar. Portanto, aproveite a paternidade e não se esqueça de ir sempre ao médico com o seu filho!

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Saiba quando a queda da criança é grave; veja dicas de prevenção.


Quando estão aprendendo a andar, as crianças surpreendem os pais. Tentam vencer pequenos desafios e, muitas vezes, arriscam-se a ir de um ponto a outro para alcançar um brinquedo, escalar móveis, correr... Sem muito equilíbrio e com os passos ainda descoordenados, não raro deixam a família tensa e preocupada com possíveis quedas.

Cair faz parte do processo de desenvolvimento normal das crianças. E isso não é conversa para tranquilizar coração de mãe. É uma explicação da OMS (Organização Mundial da Saúde). No entanto, não é por tratar o acontecimento como algo normal que a instituição considera tombos eventos sem importância.

Pelo contrário: o assunto é tão sério que a organização dedicou ao tema 16 páginas no “Relatório Mundial sobre Prevenção de Acidentes com Crianças e Adolescentes”, publicado em dezembro de 2008, em parceria com o Unicef. Segundo o documento, as quedas foram a 12ª causa de morte devido a lesões involuntárias em crianças entre cinco e nove anos e jovens entre 15 e 19 anos.

No Brasil, de acordo com dados do Ministério da Saúde de 2010, as quedas são a principal causa de internação de crianças até 14 anos.

De acordo com a OMS, as quedas devem, sempre que possível, ser evitadas ou, pelo menos, minimizadas. Seja por meio da supervisão de adultos, seja com a instalação de grades nas janelas e de pavimentos de borracha, que reduzem o impacto do corpo contra o chão.

“É importante ainda proteger os cantos de móveis, impedir o acesso às escadas e jamais deixar bebês sozinhos em cima da cama, do sofá ou do trocador”, diz Lucília Santana de Faria, coordenadora médica da UTI pediátrica do Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Cuidados como esses são capazes de reduzir lesões traumáticas cerebrais graves e também evitar pequenos traumas, que, geralmente, não representam nada grave e são curados com o passar do tempo, como o galo, nome popular do inchaço na cabeça para hematoma subgaleal.

“O aparecimento do galo indica que um vaso sanguíneo foi lesionado. A saliência ocorre porque o sangue se acumula fora do vaso”, afirma Valéria Succi, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein e do Programa Einstein na Comunidade Paraisópolis, ambos em São Paulo.

O que fazer depois da queda?
Primeiramente e com rapidez, é preciso avaliar o estado da criança considerando a altura do tombo. Lucília, do Sírio-Libanês, explica que as quedas superiores à própria altura são mais graves, seja lá qual for a idade da pessoa acidentada. E que, no caso de perda de consciência e sinais de dor de cabeça, é necessário procurar atendimento médico o quanto antes.

A pediatra Valéria, do Einstein, recomenda ainda observar se há náuseas, dificuldade para mamar, choro persistente, sonolência fora do comum, convulsão, tremores, sangramento nasal, na boca ou nas orelhas. Tudo isso também pede a análise médica.

Lucília destaca que é importante saber se, ao cair, a criança bateu a cabeça. “Os bebês têm a cabeça grande, proporcionalmente maior do que o corpo, por isso é comum batê-la em quedas, embora isso nem sempre seja sinal de gravidade”, diz.

Nesse caso, é essencial observar se o impacto atingiu a fontanela, a chamada moleira. Essa é uma região da cabeça do bebê em que não há proteção óssea. Isso quer dizer que um trauma na área tende a ser mais grave porque atinge diretamente o tecido cerebral, que protege a massa encefálica de traumas.

Ao nascer, os bebês têm duas fontanelas (bregmática, localizada na parte frontal da cabeça, e lambdóide, atrás). Os prematuros podem ter até quatro moleiras (duas laterais, além das citadas). Todas, com o passar do tempo, fecham-se. A lambdóide mais rapidamente, em geral antes dos três meses de vida, e a bregmática, em torno dos oito meses.

Para minimizar o trauma, é recomendável fazer compressa de gelo no local. “É válido ter sempre em casa uma bolsa para compressas no congelador”, diz a pediatra Lucília. Esfregar a área lesionada com as mãos, na tentativa de fazer a dor passar, não faz sentido, segundo a médica. “Aquecer a região favorece o aumento do hematoma.
” 
Deixar a criança dormir depois é perigoso? Esse é um mito bastante difundido. Lucília diz que é comum que a criança sinta-se cansada e acabe dormindo depois do tombo. Não há problema, ainda mais se for o horário que ela costuma dormir, desde que o sono seja supervisionado. “A criança deve acordar facilmente quando alguém mexer com ela, a posição de dormir deve estar normal e ela não pode emitir barulhos estranhos durante o sono”, fala a médica.

Vomitar é um sinal de gravidade? José Luiz Setúbal, pediatra e presidente do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, fala que vomitar em jato pode ser sinal de existência de um sangramento na cabeça, que precisa ser avaliado por especialistas. “Se necessário, é realizada uma tomografia. No entanto, esse exame deve ser feito somente se houver necessidade real. No caso de crianças, é preciso a aplicação de anestesia”, explica Setúbal.

Outras lesões Com o susto e a preocupação, os pais podem se esquecer de observar a ocorrência de lesões nos membros inferiores e superiores. Quando caem, frequentemente, as crianças utilizam os braços para proteger a cabeça, por exemplo.