quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Qual é a real importância dos pais no processo de alfabetização?

A alfabetização é o caminho para a construção do ser humano
O processo de alfabetização está presente na vida das crianças em todas as fases e ambientes, pois, o ser humano está em constante processo de aprendizado e desenvolvimento.

A família e a escola, cada uma delas, têm um papel importante nesse processo de alfabetização. Os pais quando estão presentes e dispostos a contribuírem com essa fase da criança, é possível perceber o seu desenvolvimento mais rápido e dinâmico.
Para que esse desenvolvimento seja tranquilo, é importante que em casa, com os pais, as crianças recebam esses estímulos.

Alfabetização infantil

 Qual a importância dos pais ajudarem no desenvolvimento da alfabetização dos filhos?

Quando pensamos em alfabetização, logo vem à mente – a alfabetização formal- aquela que acontece no primeiro ano do Ensino Fundamental. Entretanto, sabemos que, graças as pesquisas científicas, os pais desempenham um papel importantíssimo na preparação para a alfabetização formal. Por qual motivo? As crianças precisam desenvolver a linguagem antes dessa alfabetização.

Quando uma criança aprende a ler, o que vai acontecer?

 Ela vai no momento da leitura, resgatar episódios de fala, então veja, a criança precisa compreender o discurso oral para que depois, ela tenha um alto desempenho, também, em compreensão textual. E essa compreensão no discurso oral, se dá por meio de interações verbais, entre pais e filhos, e professores e alunos. Então, os pais precisam melhorar a qualidade de interação verbal com as crianças, para que elas adquiram um vocabulário e  o enriqueçam, e assim, compreendam o discurso oral, a linguagem verbal.

Então os pais podem estimular os filhos, em casa, lendo em voz alta, conversando com as crianças e adotando estímulos de interação verbal de qualidade.

 Que métodos podem ser utilizados pelos pais, no processo de descoberta da criança, enquanto escrita e leitura?

Uma vez que, a criança recebendo toda a estimulação verbal em casa, ouvindo histórias com frequência, os pais interagindo verbalmente com elas, usando um estilo favorável de acordo com a idade, assim, promovem o desenvolvimento linguístico das crianças e, consequentemente, enriquece o vocabulário dos pequeninos. Isso é considerado estímulo para as crianças, juntamente com a leitura (frequentemente) em voz alta.

Os pais precisam entender que, no momento da alfabetização formal, há métodos que são eficazes e outros não. Eu sei que no Brasil, infelizmente, as pessoas pensam que podem aproveitar algo de um método educacional: tirar um ”pouquinho daqui e outro dali”, mas não é assim que funciona, e hoje, sabemos que a melhor abordagem para alfabetizar crianças é a abordagem fônica. O famoso métodos método fônico é um método de alfabetização que primeiro ensina os sons de cada letra, e então constrói a mistura destes sons em conjunto para alcançar a pronúncia completa da palavra. Permitindo dessa forma, que se consiga ler toda e qualquer palavra. No Brasil nós temos os métodos silábicos e global, mas há escolas que misturam um pouco de, silábico com global e fônico, que são os métodos mais vistos, mas definitivamente a ciência diz que a melhor abordagem para alfabetizar crianças é a abordagem fônica.

Por que essa abordagem é a melhor?

 É porque ela começa ensinando as crianças o princípio alfabético. E o que é esse princípio?

 Não é o conhecimento dos nomes das letras do alfabeto, mas são as relações entre os grafemos e os fonemas (grafema é letra, símbolo gráfico utilizado para constituir palavras; fonema é a unidade sonora utilizada para formar e distinguir palavras). Essa abordagem fônica,facilita a nossa compreensão entre as letras e os seus respectivos sons, sendo assim, o nosso sistema de escrita é um sistema alfabético que se reporta aos fonemas. Esse é o alvo do sistema, ou seja, o método fônico levam às crianças, a tomada de consciência dos fonemas. Logo, recomendo para todos os pais a abordagem fônica e que procurem escolas que tenham essa abordagem ou cursos na internet.

 Atualmente, como incentivar o hábito de leitura às crianças, já que os smartphones, tomaram conta do cotidiano delas? Por exemplo, os pais muitas vezes, se utilizam desse recurso audiovisual para entreter os filhos.

Destaco a importância de promovermos o desenvolvimento linguístico, enriquecer o vocabulário receptivo e expressivo das crianças.

Precisamos conversar muito com as crianças, para que elas entendam e, no futuro compreendam textos, do mesmo modo que compreendem a linguagem verbal. Veja que coisa curiosa: você aciona, no momento da leitura, as mesmas capacidades de compreensão que são necessárias para compreender um filme. Se as capacidades gerais que acionamos são as mesmas, o que vai mudar? É que diante do texto, as crianças precisam dominar uma técnica, para resgatar o episódio da fala que está no texto.

Então, os ”recursos tecnológicos” muitas vezes atrapalham, porque desviam a atenção das crianças da realidade sonora da fala. Nós precisamos interagir com as crianças usando a linguagem verbal, elas precisam olhar para nossa face e lábios. Isso faz parte, porque nós, não só ouvimos a linguagem verbal, como também podemos ”ver e sentir”. Na alfabetização, nós utilizaremos essas estratégias para exemplificar as unidades que compõem a linguagem.

É importante saber usar dos recursos tecnológicos com moderação, pois, a exposição excessiva aos monitores, comprovadamente, acabam levando as crianças a um universo de distração, pois, quando colocamos a criança diante de um texto impresso sem ilustrações, fica difícil ela manter a atenção.  A criança precisa dominar técnicas de decodificação para começar a ler. Com o uso excessivo de smartphones, ela não consegue.Como já dito, quando for observar um texto ”fora dessa tela”, não obterá uma leitura satisfatória.

A falta de estímulo, o uso excessivo dessas tecnologias, podem atrapalhar, e muito, o desenvolvimento linguístico das crianças.

A alfabetização dos filhos é uma tarefa dos pais ou da escola? Ou isso precisa ser trabalhado em conjunto?

Prof. Carlos Nadalim: Há um autor chamado José Morais, um psicolinguista muito famoso, que diz em um dos seus livros que a alfabetização compete aos professores, mas, por qual motivo os pais ficariam de fora?

Será que um pai, que não tem formação na área da educação, pode conduzir a alfabetização dos filhos? Pode prepará-los para essa fase? Isso é o que eu constato no blog: os pais podem colaborar com a alfabetização dos filhos, desde que, sejam bem instruídos. Então em meu blog “Como educar seus filhos”, faço justamente isso, concedo aos pais informações a respeito da alfabetização.

Já tive mais de dois mil alunos nos meus cursos, e os pais se surpreendem quando conseguem conduziras atividades em casa, quando preparam as crianças à alfabetização e, também, as levam à leitura dos primeiros textos. É perfeitamente possível, os pais participarem da alfabetização dos filhos.

Além do método fônico, qual outro meio que facilita a alfabetização das crianças? 

 Bom, na verdade, apresento para os pais uma variável da abordagem fônica. A diferença do meu curso para os outros métodos que circulam no nosso país é que, tento integrar outras áreas, como por exemplo, o desenvolvimento motor. Nós sabemos que há uma conexão entre motricidade e desenvolvimento da linguagem, então no meu curso, há um módulo em que as crianças vão tomar a consciência do corpo e vão aprender a coordenar os movimentos de forma consciente, para que depois, elas neutralizem de forma consciente esses movimentos, participando com mais atenção dos jogos de linguagem que fazem parte da abordagem fônica.

O primeiro aspecto que trabalho é a coordenação motora, pois isso é fundamental para que, as crianças tenham um alto desempenho nos jogos de linguagem. Depois, é claro, apresento os jogos tradicionais que fazem parte das abordagens fônicas. Há também, vários bônus no meu curso: a participação de um psiquiatra infantil e um educador musical, esse último mostra qual é o caminho mais seguro para ensinar música às crianças pequenas. Ainda temos no curso a participação de um contador de histórias, o Chico dos bonecos, que apresenta aos pais, orientações de como podem ler em voz alta e de como contar histórias aos filhos.

Nos tempos atuais, muitos reclamam que as crianças são muito agitadas, porém, sabemos que as crianças gostam de se movimentarem, por conta disso, os pais precisam organizar os movimentos das crianças, ou seja, é necessário educar esses movimentos. Saber como “educar” a capacidade motora da criança é um recurso a mais na alfabetização.

Quando dizemos para uma criança ficar quieta e em silêncio, isso é muito abstrato para o universo infantil. Ela deve pensar: ”O que está dizendo com isso? Ele quer que eu não fale nada e que não movimente minhas mãos?”

Para a criança conseguir não se movimentar, é preciso que ela tome consciência dos movimentos.

Você foi submetido a um treinamento em que tomou consciência do seu corpo? Não! Então, como exigir essas coisas das crianças. Precisamos seguir programas, com sequências de exercícios que levem as crianças a tomada da consciência corporal para que, elas fiquem mais calmas e focadas durante os jogos de linguagem.

Fica a dica
Não existe uma quantidade certa de tempo, para brincar com os elementos que estimulem a alfabetização. Mas, é preciso que os pais conheçam esses processos e possam ajudar a criança nessa fase de descoberta da língua falada e escrita, além de todo o desenvolvimento motor e emocional. O papel dos pais é fundamental em todo o processo de alfabetização e educacional dos filhos.

Pais e avós: o desafio de educar e dividir as tarefas no cuidado dos filhos

Como fazer para que não haja divergência entre pais e avós na criação dos filhos?
É comum, em nosso tempo, que a tarefa de cuidar dos filhos, durante o trabalho dos pais, seja confiada aos avós por diversos motivos: confiança, logística para levá-los e, especialmente, por partilhar valores similares aos dos pais, dentre tantos outros motivos particulares a cada família.

O apoio dos avós traz não apenas a ajuda nas tarefas diárias, mas também na transmissão da história da família, dos hábitos, costumes e regras. A partir daí, estamos diante de um grande desafio: alinhar a comunicação entre pais e avós, para que a comunicação com os filhos seja única. Ou seja, como os avós podem transmitir aos netos as mesmas regras que sua família de origem tem? Como não sentir que existe um desalinhamento entre o que pais e avós dizem aos pequenos?
Qual é a melhor maneira de ajustar tais atitudes?
É comum o relato de mães dizerem que os avós “mimam” os filhos, liberam doces e guloseimas a todo custo e, muitas vezes, elas (as mães) têm dificuldade para alinhar essas regras. Crianças são espertas, e logo percebem se há divergência nessa comunicação e nas regras de pais e avós. Portanto, o primeiro passo importante é manter, dentro do mais próximo possível, as regras que a criança têm em sua casa, quando ficam na casa dos avós, evitando “mandos e desmandos” e uma interferência e quebra de autoridade de cada um deles. As falhas no comportamento precisam ser comunicadas aos pais, bem como qualquer situação que seja relevante.

Uma comunicação clara e aberta entre pais e avós é extremamente importante e reduz consideravelmente qualquer problema. Aliás, é na correria cotidiana que uma boa conversa vai se perdendo em vários ambientes de nossa vida: trabalho, família, amigos e igreja.

Nesse processo de cuidado, é importante e sadio que a criança saiba das figuras de autoridade que os pais e avós assumem. Regras são regras e devem valer em qualquer ambiente, para que essa criança em formação também seja formada nessa convivência. Caso contrário, saberá que, facilmente, poderá dobrar os avós neste cuidado.
Conversar previamente para evitar problemas
É importante também que o diálogo entre os pais e avós se faça presente, pois, quando isso não acontece, as próprias condições desse cuidado ficam desproporcionais. Por exemplo: os pais ajudarão os avós financeiramente, para que essa criança fique lá? Ou ajudará com os lanches, alimento, despesas etc?

Muitas vezes, os avós assumem não apenas a criança, mas as despesas advindas desse cuidado; e quando não existe essa possibilidade, começam aí os primeiros desentendimentos ou a sensação de abuso por parte dos avós. Tudo o que é acordado previamente evita problemas futuros.

A segurança e o apoio emocional de crianças que são cuidadas pelos avós é uma experiência ímpar, que tende a ser muito positiva. Cabe também aos pais avaliar a real possibilidade física e emocional desses avós ao assumirem essa responsabilidade. Não existe uma regra ideal nem uma forma única e específica para essa organização familiar, apenas cabe organizá-la de forma que todos os envolvidos se sintam bem nessa situação.

O desejo com essa reflexão não é impor o que é certo ou errado, pois as famílias encontram formas de estabelecer o cuidado com seus filhos, e isso é essencial. Cada família, em seu formato, compreenderá o que será estabelecido entre as partes, como seus filhos serão cuidados. Esse entendimento, no entanto, é essencial, pois estamos lidando com pessoas em formação, e que, como destacamos, ficam atentas a tudo e a todos. Quanto mais alinhados estivermos, melhor será o resultado das experiências entre pais, avós e filhos.

Como formar crianças emocionalmente fortes e equilibradas?

É possível educar as crianças para serem fortes em todas as áreas da vida?
Nasce o  filho e com ele nascem: o pai e a mãe. E nesse pai e nessa mãe, nasce uma avalanche de sentimentos. Um mix de seguranças e incertezas, coragem e medo. Queríamos uma cartilha que nos ajudasse no sono, na amamentação, nas cólicas, nas febres, nas viroses, na introdução alimentar, no engatinhar, no andar, no falar, no pensar, no amar, no e na (…). “Ufa!”. São tantas demandas. E, existe sim, muitas “cartilhas” de como “adestrar” seus filhos. Métodos e mais métodos “infalíveis” para transformar aquela folha em branco chamada filho no “ideal de homem/mulher” que está dentro dos pais.

Até o título desse texto foi de propósito, pois, quem não quer as 5, 10 ou 20 dicas de como formarem crianças para serem emocionalmente fortes e equilibradas? Certinhas e que nunca mostrem fraquezas ou certo desequilíbrio? Quem não quer um filho que não “dê problema”? Quem não quer um “deus” em vez de uma pessoa?
Depois de muitas provocações precisamos pensar: “Quero ser para meu filho alguém que, o ajude a ser o melhor de si mesmo ou o melhor que acho que ele deve ser?” Estou preocupado com ele ou comigo mesmo?

Quero entender meu filho?
Por exemplo, muitos pais não querem entender o porquê do choro do filho, que não permite que ele durma; mas, querem a receita infalível para que o bebê pare de chorar e durma. O que está por trás não é a necessidade do filho que chora por uma causa, mas sim a necessidade que o pai/mãe tem de dormir.

Por vezes corremos o risco de “idealizarmos” tanto o filho “perfeito” que não permitimos que ele exista, entretanto, insistimos para que ele “exista” da maneira que julgamos a mais apropriada. Que violência! Colocamos padrões desumanos,como por exemplo, meu filho tem que andar com 5 meses, porque, tem que ser o primeiro em tudo. Deve ler com 1 ano, pois, o da vizinha aprendeu com 2 anos e o meu não pode ficar para trás. Não pode chorar; tem que ser forte e mais forte que o filho dos outros.

Gosto do sentido da palavra -educar- vem do latim: “educere”, que significa “tirar de dentro”. Educar não quer dizer colocar coisas, como se não tivesse nada lá dentro dele, muito pelo contrário, educar é um processo que oportuniza sair o que em potencial já existe. Todos nós nascemos com um ser bom, justo, amável e etc.. O que precisamos como pais é oferecer o melhor ambiente para que isso possa vir para fora; para que possa aparecer e ser. Nosso trabalho não é o de colocar coisas, e sim, sermos “gatilhos” de identificação para nossos filhos.

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Como ter um filho equilibrado emocionalmente?
Se quero que meu filho seja uma pessoa “equilibrada emocionalmente”, preciso pensar no quanto eu “ofereço para ele um ambiente equilibrado nas emoções”, para que ele se identifique e tire de dentro dele aquilo que ele viu fora.

Contudo, entenda que equilíbrio emocional não quer dizer não ter conflitos, não é isso. Equilíbrio se supõe presença de opostos, logo, conflitos. E esses opostos podem aparecer sem medo e sem desajustar a relação. Pode até tensiona-la, mas não polariza-la. Isso gera no filho a oportunidade de tocar dentro de si, nos próprios sentimentos ambivalentes que existem e, assim, assumi-los, integra-los e os colocar no mundo das relações de uma maneira mais saudável.

Hoje, acompanhamos vários adolescentes, jovens e, até adultos, que não conseguem lidar com as próprias emoções. Não toleram a frustração e partem para atitudes desequilibradas baseadas no rancor, raiva e ódio. Pensemos no quando, durante a infância foram “formados” por um ambiente instável e agressivo. Agem no hoje com aquilo que internalizaram lá na infância.

Qual é a fórmula certa para educar?
Se me perguntarem:

– Então, como educar os nossos filhos?

Primeiro pense no quanto você de fato está “educado”. O quanto você se conhece, se aceita e se integra. Que referencial você é para o seu filho e como ele assimila isso? Muitas vezes colocamos fardos sobre eles, os fardos das nossas idealizações. Mas, digo a você, seu filho estrutura-se na linha das idealizações que ele faz de você. Ou seja, o quanto você se torna o “ideal” que está dentro dele. Exemplo: se falo para o meu filho que precisa respeitar aos outros, que deve ser honesto e gentil e, no primeiro sinal vermelho do semáforo acelero, não paro carro; estou dando a ele o “ideal da desonestidade” e, entre o que falo e faço, ele ficará com o que eu faço.

Eles nos veem; nos idealizam. Não há métodos infalíveis e livros de receitas para a educação dos filhos, podem até ajudar, mas sempre será no relacionamento de pais e filhos que o “educere” acontecerá. Acredite nisso!