quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Birra de criança: tudo que você precisa saber sobre ela

Aprenda a lidar com esse comportamento que faz parte do desenvolvimento do seu filho
De repente, aquele bebê que parecia tão quieto e tranquilo alguns meses atrás, grita, se joga no chão e provoca os mais diferentes sentimentos em você, da vergonha à raiva, passando pela vontade de rir. Lidar com a birra não é fácil, mas é inevitável. Veja como facilitar esse momento e conheça estratégias para conseguir evitar o show.

1. Qual é a idade da birra?

Em uma enquete realizada no site Crescer, 63% dos 158 participantes afirmaram que os filhos fizeram mais birra entre 2 e 4 anos. É nessa idade que as crianças testam os limites dos pais e diante da frustração de um NÃO, choram, esperneiam, gritam, se jogam no chão. Tudo isso porque não aprenderam a lidar com essa sensação. Mas ela pode começar já aos 6 meses e só terminar aos 8! Muito depende do tipo de criação que a família vai dar e outro tanto da personalidade da criança. Caso seu filho ultrapasse os 6 anos ainda tendo ataques de birra constantes, é melhor procurar a ajuda de um especialista. Pode ser que ele esteja sofrendo com algum problema ou acontecimento recente. Mudança de casa, de escola, a morte de um parente querido ou de animal de estimação, a separação dos pais e até mesmo a falta de diálogo em casa podem atrasar o desenvolvimento da criança. Essa é uma das formas de ele pedir socorro.

2. Por que ela acontece?

Isso acontece porque as crianças ainda não têm maturidade suficiente para lidar com uma determinada frustração e acabam explodindo. Essa explosão vem em forma de choro incontrolável, gritos e aquela movimentação intensa difícil de conter. Na verdade, em algumas situações, as crianças estão testando o limite dos pais para descobrir até onde podem chegar. Outras vezes, a birra é apenas um pedido de ajuda inconsciente para lidar com um sentimento novo que é a frustração.

3. Dá para evitar?

Sim, porque o ataque de birra começa muito antes dos berros e do choro. É uma manha, um pedido que não pode ser realizado, um lugar muito agitado e cheio de gente ou sono, cansaço etc. Quando os primeiros sinais surgirem, é hora de negociar, levando em conta a idade da criança.

• Até 2 anos: se vir que o não vai magoar a criança, em qualquer situação, mude de ambiente para distraí-la e proponha uma brincadeira.

• Entre 2 e 4 anos: você foi ao shopping e seu filho cismou que quer um determinado brinquedo? Diga a ele para escolher para o aniversário ou para a próxima data festiva. Você também pode avisar que aquele é muito caro e sugerir um mais barato. Se não puder comprar, é melhor falar a verdade. Na hora de ir ao mercado, incentive seu filho a ajudar você para que não fique irritado por não se sentir útil. Pegar um produto na prateleira, segurar uma sacola bem leve, ajudar a observar preços são boas dicas.

SEMPRE: Não se esqueça de que tudo deve ser dito na linguagem que a criança entenda. Usar tom “de adulto” é cansativo, difícil e chato. E, claro, sempre conversar com a criança baixando até a altura dela.

4. Como lidar com o ataque? 

Infelizmente, não existe uma fórmula infalível. Tudo depende da criança, da idade e da situação. Mas algumas dicas podem ajudar nesse desafio. Primeiro de tudo, pense se vale a pena entrar nessa batalha com seu filho. Ele realmente está exagerando? Está pedindo algo que já tem, ou está irritado, com sono ou fome, está calor demais? Muitas vezes, eles precisam de um lugar mais tranquilo para dormir ou se alimentar, ou simplesmente estar.
• Se a criança estiver em um lugar perigoso, retire-a de lá imediatamente, não importe a intensidade do berro dele.

• Mantenha a calma. Não esqueça que você serve de modelo para seu filho e quanto mais calmo ficar, mais rápido a situação vai se resolver.

• Não grite. Como é uma explosão dos pais, não há criança que suporte isso!

• Nunca, jamais, bata no seu filho.

• Desvie o foco da criança. Como ela está nervosa, evite conversar muito na hora. Melhor falar menos e agir mais. Até os 5 anos, a criança não consegue manter a concentração nas palavras por mais de 30 segundos.

• Quando perceber que ela se acalmou, dê um abraço bem gostoso para mostrar a ela que está tudo bem!

5. Espaço para a rotina 

Criança precisa de rotina, gosta de saber o que vai acontecer, o que pode e não pode fazer. Dá segurança e é transmissão de afeto. Isso vale para as situações mais cotidianas, como tomar banho, jantar e ir para a escola. Para isso acontecer, a família toda precisa se organizar. É como confundir a criança quanto aos valores da família: consegue imaginar como seria caótico um lar em que o certo e o errado se misturam? Para manter as regras é fundamental também facilitar para que elas sejam cumpridas: se você quer que ele sempre se comporte em um lugar público, não vai deixá-lo horas sentado em um restaurante cheio ou esperar que ele fique calminho em uma fila de banco, não?

6. Valorize o não 

OK, você já sabe a importância de falar 'não' para que seu filho aprenda a amadurecer e perceba que não terá tudo sempre à mão quando pedir. “Crianças que nunca são contrariadas acabam se tornando adultos irritados, agressivos e até infelizes. Afinal o mundo não dará somente o sim incondicional que os pais sempre disseram”, explica a psicanalista infantil Anne Lise Scapaticci. E justamente por seus bons efeitos, a palavrinha não deve ser desperdiçada em situações completamente desnecessárias. Quando usado sem moderação, o não perde força e convida à desobediência.

7. Acerte no castigo 

Não adianta punir crianças menores de 2 anos. Elas não têm maturidade suficiente para perceber que fizeram uma coisa errada, muito menos que estão pagando por isso. Mas, por exemplo, se ela joga um brinquedo no chão ou em alguém e você tira o brinquedo, já pode ser um castigo para ela. Quando a criança é maior, vale excluir algo importante para a criança, como o clássico “ficar sem TV”. “Castigos, quando bem aplicados, atendem ao senso de justiça que todas as crianças têm. A falta de punição, pelo contrário, as desorienta. Um olhar quieto e sério para um filho é um tipo de punição particularmente eficaz. O objetivo da punição é incomodar”, afirma o psicanalista Francisco Daudt da Veiga.

Para ser educativo, a criança precisa entender a relação entre o que fez e a consequência. A punição deve acontecer no mesmo momento, pois as crianças têm uma visão imediatista: ainda não aprenderam a pensar a longo prazo. Ou seja, depois de algum tempo, não sabem por que estão sendo castigados, esqueceram da birra e da importância que demos a ela.

E não é muito repetir: não estamos falando de palmada, beliscão ou tapa. Isso tudo está mesmo fora de cogitação.

8 coisas que o seu filho deve saber antes de começar a pré-escola

SEU FILHO APRENDERÁ MUITO NA ESCOLA, MAS ELE DEVE SE GARANTIR EM ALGUNS QUESITOS ANTES DE COMEÇAR
Todos os pais querem que os seus filhos se saiam muito bem nos primeiros passos da vida e a pré-escola é a base para ter um ótimo futuro, não só na escola mas também no caminho que eles vão trilhar. Com a escolha da instituição de ensino feita, resta preparar o seu filho para essa importante transição.

1. Incentive a independência da criança

As crianças aprendem com os acertos e com os erros. Então, não apresse a criança quando ela estiver diante de uma situação desafiadora. Ou nem mesmo tente socorrê-la. “Socialmente, incentive os filhos a terem confiança nas suas habilidades de se livrarem de situações difíceis e fazer escolhas apropriadas. Por último, permita que eles aprendam e cresçam com os erros deles”, diz Grace Geller, diretora de uma pré-escola em Weston, na Florida.

Grace recomenda que o ato de encorajar as crianças a se tornarem independentes pode acontecer no momento de lavar as mãos, assoar o nariz, abrir embalagens de lanchinhos, fechar a mochila ou cobrir a boca ao tossir ou espirrar. Ensine o seu filho a colocar o pijama à noite e escolher a roupa para o dia seguinte. Se ele quiser se vestir sozinho pela manhã, tudo bem, mas lembre-se que, mesmo assim, é provável que ele precise de alguma ajuda.

2. Comece o treinamento no penico

“O penico é um problema muito complexo,” afirma Geller. Depois de se decidir pela pré-escola, pergunte sobre como a questão do penico é trabalhada na instituição. Se ir ao banheiro sozinho for um requisito, veja se o seu filho já está pronto para o treinamento. Se ele não estiver, não force nada. Se o seu filho conseguir manter a fralda seca por uma hora, pode ser o momento de iniciar a adaptação. É importante considerar que “as crianças também devem estar dispostas a começar o desfralde,” diz Geller.

3. Fique de olho na organização

Ensine o seu filho a ser organizado. Trabalhe a questão da organização com as roupas e os brinquedos do quarto dele. Kate Dust, professor na Faculdade de Buffalo State, sugere usar cestas e caixas coloridas para colocar itens similares junto.

Depois de brincar, diga a ele que é hora de recolher os brinquedos, colocando cada um em seu lugar. Faça isso cantando, para se tornar uma atividade divertida. Uma vez que o seu filho se acostumou com a rotina, faça-o organizar da forma dele. Lembre-se de sempre elogiar se ele fizer um bom trabalho.

4. Desenvolva as habilidades sociais

A habilidades sociais e não as acadêmicas devem ser prioridades, diz Claire Haas, vice-presidente de educação da Academia Infantil em Abingdon, Maryland. “Ir para a escola é o mesmo que socializar. Quando pensar em pré-escola, considere as seguintes questões: seu filho consegue estar distante de você? Ele está se desfazendo das fraldas? Ele está falando sobre escola?

Algumas habilidades sociais que são necessárias para a ingressão na pré-escola são a partilha, a espera pela sua vez, a brincadeira com mais um amigo. O caminho mais natural para conseguir isso é por meio do contato com outras crianças.

Comece a ensinar tudo isso cedo. Cumprimentar outros, ter maneiras à mesa, não interromper conversas e dizer “por favor”, “obrigado”, e “desculpas”. Essas são maneiras do seu filho de mostrar respeito e consideração pelos outros. Os professores do seu filho ficarão certamente impressionados.

5. Encoraje o preparo emocional

Julie Nelson, ex-professor de pré-escola, acredita que o preparo emocional é muito importante nessa fase da vida da criança. É necessário, ela diz, “ajudar a criança a identificar e processar emoções de uma forma saudável. Quando uma criança exibe uma emoção forte, é melhor não julgar e desvalorizar com frases do tipo: “não aja como um bebê”, ou “você vai me enlouquecer com essas birras.” Uma criança na pré-escola tem dificuldade de entender e colocar os sentimentos em palavras  e se sentir fora de controle nessas situações. Os pais podem ajudar permitindo que a criança expresse as suas emoções. Aprender a fazer isso é algo saudável e importante não só para a pré-escola, como para a vida.

6. Cultive habilidades de comunicação

Falar e ouvir são atitudes extremamente valiosas para o sucesso na escola, e os pais têm oportunidades incontáveis de desenvolver a habilidade da linguagem. “Pode ser falando sobre a rotina ou introduzindo novas palavras e expressões. Os momentos certos surgem com observações das próprias crianças ou de coisas que eles mesmo se interessem. Pode ser difícil quando os pais estão trabalhando, mas momentos para ensinamentos podem ser feitos em poucos segundos ou minutos. O truque é perceber que o que vemos pode ser banal para nós, mas para as crianças são maravilhas e curiosidades,” diz Rebecca Palacios, orientadora do site ABCmouse.com.

7. Foque nas informações básicas

Antes da pré-escola, ensine o nome completo do seu filho, o nome dos pais e o nome da rua e o número da casa. Ele talvez até possa decorar o número do telefone de casa. Ensine demonstrando como se faz: teclar o número num telefone de brinquedo e dizendo os números em voz alta. Encoraje o seu filho a fazer o mesmo. Se o seu filho também tiver alergias ou necessidades especiais de saúde, certifique-se de que ele entende a importância de manter a informação acessível numa pulseira ou cartão.

8. Seja também um professor

É muito mais divertido criar oportunidades de introduzir às crianças informações de cores, números e letras do alfabeto. Aponte para as letras e cores em sinais na rua e em músicas. “Como pais, vocês são os responsáveis por criar o lugar de aprendizado, sendo os primeiros professores das crianças,” afirma Rebecca.

E não fique preocupado com as habilidades de aprendizado da criança antes da hora. Com tudo isso garantido, o resto ela terá a oportunidade de aprender na pré-escola.


Afinal, o que a criança pequena tem de saber?

A pergunta foi feita por uma mãe, em um fórum de discussão sobre educação. As respostas surpreendem e servem para nossa reflexão, como profissionais que trabalham com a Primeira Infância e que, diariamente, têm contato com pais muitas vezes angustiados porque não sabem, de fato, o que é melhor para seus filhos.

Este post foi inspirado em um texto publicado no portal de notícias americano The Huffngton Post, que nos chamou a atenção.

Ele fala de um tema que tem pautado discussões entre educadores e pais. Não é nada conclusivo, porém, para seu trabalho, serve como base às suas argumentações e, até mesmo, para você refletir sobre como tem encaminhado as orientações que dá aos pais.

O que o artigo traz é a realidade do mundo contemporâneo onde “ter”, “ser”, “saber” mais parecem pré-requisitos para uma espécie de competição. Muitos pais sentem-se melhores quando percebem que seus filhos sabem mais do que outros, como se isso os tornassem diferenciados.

Mas, será que é por aí que o sucesso futuro de um indivíduo pode ser medido?

Aquela pergunta da mãe, sobre o que a criança pequena tinha de saber, trouxe uma série de respostas da especialista Alicia Bayer, transcritas no artigo, que merecem ser compartilhadas com seus colegas educadores e com as famílias.

Enquanto para algumas mães a lista de saberes incluía, entre outras coisas, conhecer os nomes dos planetas e contar até cem, a da especialista trazia outras competências.

Para ela, uma criança deve saber…
… que a querem por completo, incondicionalmente e em todos os momentos.
… que está segura e como manter-se a salvo em lugares públicos, com outras pessoas e em distintas situações.
… seus direitos e que sua família sempre a apoiará.
… rir, fazer-se de boba, ser “vilã” e utilizar sua imaginação.
… que nunca acontecerá nada se pintar o céu de laranja ou desenhar gatos com seis patas.
… que o mundo é mágico e ela também.
… que é fantástica, inteligente, criativa, compassiva e maravilhosa.
…que passar o dia ao ar livre fazendo colares de flores, bolos de barro e casinhas de contos de fadas é tão importante como praticar fonética.

Mas, a especialista não parou aí e também elaborou uma lista do que os pais devem saber:

Que cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer cálculos a seu próprio ritmo, e que isso não tem qualquer influência na forma como irá andar, falar, ler ou fazer cálculos posteriormente.

Que o fator de maior impacto no bom desempenho escolar e boas notas no futuro é ler para as crianças desde pequenas, dedicando um tempo do dia ou da noite para isso.

Que ser a criança mais inteligente ou a mais estudiosa da turma nunca significou ser a mais feliz. A obstinação em garantir aos filhos todas as “oportunidades” acaba gerando uma vida com múltiplas atividades e cheia de tensão como a dos adultos. Uma das melhores coisas que se pode oferecer às crianças é uma infância simples e despreocupada.

E você, educador, o que acha que uma criança pequena deve saber? Você concorda com as listas apresentadas pela especialista? Deixe aqui a sua opinião e, se desejar, confira o artigo completo.